Era o prefácio e um artigo sobre um livro que se chamava "French Children Dont Throw Food", traduzindo no literal, Crianças francesas não jogam comida. Este livro é um relato divertido feito por uma jornalista americana que parece ter encontrado uma nova forma de educar as crianças.
A questão é que, ao casar e se mudar para Paris, ela começa a perceber que ser uma mãe parisiana parece ser, por algum motivo secreto, uma tarefa muito mais fácil do que ser uma mãe americana, ou de qualquer outra nacionalidade. Mães e pais parisienses conseguem ir a um restaurante com seus filhos sem que tenham que engolir a comida para ir embora logo, sem que tenham que ouvir reclamações das mesas ao lado, briga entre os filhos ou ainda reclamações da comida e dos legumes que se recusam a comer. Lá, as crianças são educadas, comem todos os tipos de alimentos que lhe são servidos, e aparentemente não tornam um passeio em familia um inferno.
Mas, o que fazer para que nossos filhos fiquem assim ? Como criar crianças meigas e educadas, e não pequenos ordeiros que mandam em nossas vidas ? É ai que entra Pamela Druckerman em nossas vidas, prontas para nos preparar para uma chegada tranquila, na medida do possivel, desde o primeiro momento com nossos pequenos.
Há duas semanas atrás comentei com a Sol, a mãe do Rafa, sobre o livro, e, coincidentemente, ela havia acabado de ler uma matéria sobre ele na Veja (se não me engano) e chegou até a me mostrar a matéria ! Ficamos loucas (eu que já estava, fiquei mais ainda de novo) para comprar o livro. Fomos voando a uma livraria perto de casa, porém o livro já havia acabado ! (Neste dia, comprei um outro que logo irei postar sobre). Na mesma semana insistimos, e acabamos conseguindo comprar na Livraria Cultura, no Shopping Villa Lobos. Ela me deu de presente, então não me lembro exatamente do valor, mas foi algo entre 29$ e 39$. Ah, e inclusive, o nome foi traduzido de forma não-literal, aqui no Brasil o livro se chama "Crianças Francesas Não Fazem Manha".
Começamos a ler juntas na mesma hora, e foi o suficiente para nos encantarmos pelo livro ! Passeamos no shopping lendo ele e só paramos quando fomos entrar no carro para eu não ficar enjoada.
A questão é que ao longo do livro, você vai aprendendo junto com a escritora. Ela vai fazendo descobertas e pesquisas, e de uma forma muito divertida e sincera, nós vamos aprendendo suas técnicas junto com ela ! Além do que, ela fala sobre trechos de diversos especialistas, comenta livros e métodos e fala opiniões de mulheres de diferentes locais, sempre situando a situação que a mãe se encontra. Ela compara o que as mães fizeram, e quais resultados obtiveram.
Este é um pequeno trecho do prefácio, logo a primeira parte do livro. Espero que curtam e que este pequeno pedacinho da leitura dê agua na boca de vocês, como este livro está dando na minha!
"Quando minha filha estava com um ano e meio de idade, meu marido e eu decidimos fazer uma pequena viagem de férias de verão com ela. Escolhemos uma cidade praiana que fica a poucas horas de trem de Paris, onde moramos (sou americana e ele é britânico), e reservamos um quarto de hotel com berço. Naquele momento, ela era nossa única filha, então nos perdoe por pensar: “O quanto pode ser difícil?”.
Tomamos café da manhã no hotel. Mas temos que almoçar e jantar nos restaurantes de frutos do mar perto do velho porto. Rapidamente descobrimos que duas refeições por dia em restaurantes com uma criança pequena merecem ser consideradas um círculo do inferno. Bean se interessa pela comida por pouco tempo: um pedaço de pão ou qualquer coisa frita. Mas em poucos minutos ela começa a sacudir saleiros e rasgar pacotinhos de açúcar. Logo ela exige ser libertada do cadeirão, para poder correr pelo restaurante e sair perigosamente em disparada em direção ao cais.
Nossa estratégia é terminar a refeição rapidamente. Fazemos o pedido assim que nos sentamos e imploramos que o garçom traga logo um pouco de pão e toda a nossa comida, a entrada e o prato principal ao mesmo tempo. Enquanto meu marido come um pouco de peixe, cuido para que Bean não seja chutada por um garçom nem caia no mar. Em seguida, trocamos. Deixamos gorjetas gordas como um pedido de desculpas, para compensar o monte de guardanapos rasgados e de pedaços de lula espalhados ao redor da mesa.
Em nossa caminhada de volta ao hotel, juramos nunca mais viajar, tentar nos divertir e ter mais filhos. Essa viagem de “férias” sela o fato de que a vida como conhecíamos 18 meses antes está oficialmente terminada. Não sei bem qual é o motivo de estarmos surpresos.Depois de mais algumas refeições em restaurantes, reparo que as famílias francesas ao nosso redor não parecem estar no inferno. Estranhamente, parecem estar de férias. As crianças francesas da mesma idade de Bean estão sentadas com alegria nos cadeirões, esperando a comida ou comendo peixe e até mesmo legumes e verduras. Não há gritos nem choros. Todo mundo come um prato da refeição de cada vez. E não há restos ao redor das mesas.
(...) Será que as crianças francesas são geneticamente mais calmas do que as nossas? Será que foram subornadas (ou ameaçadas) para serem submissas? Será que são produto de uma filosofia de criação antiga sobre a qual ninguém fala?
Não parece ser isso. As crianças francesas ao nosso redor não parecem intimidadas. São alegres, falantes e curiosas. Os pais são carinhosos e atenciosos. Apenas parece haver uma força invisível e civilizadora na mesa deles (e, estou começando a desconfiar, na vida deles) que não existe na nossa. Quando começo a pensar no jeito francês de educar os filhos, percebo que não é só a hora das refeições que é diferente. De repente, tenho muitas perguntas. Por que, por exemplo, nas centenas de horas que passei em parquinhos franceses, nunca vi uma criança (exceto a minha) ter uma crise de birra? Por que meus amigos franceses não precisam largar correndo o telefone porque os filhos exigem alguma coisa? Por que a sala de estar da casa deles não foi ocupada por cabanas e cozinhas de brinquedo, como a nossa?
E tem mais. Por que tantas crianças americanas que conheço fazem dieta exclusiva de massa ou arroz branco, ou comem só uma pequena variedadede comida “de criança”, enquanto os amigos franceses da minha filha comem peixe, legumes, verduras e praticamente tudo? E como é que, excetoem um horário certo de lanche durante a tarde, as crianças francesas não beliscam?
Jamais pensei que deveria admirar o jeito de os franceses educarem os filhos. Não é uma coisa, como a moda francesa ou os queijos franceses. Ninguém vai a Paris para absorver a opinião local sobre autoridade dos pais ou gerenciamento de culpa. O que acontece é o contrário: as mães americanas que conheço em Paris ficam horrorizadas pelas mães francesas quase não amamentarem e deixarem os filhos de 4 anos saírem de chupeta.
Então como elas nunca comentam que tantos bebês franceses começam a dormir a noite toda com dois ou três meses? E por que não mencionam que as crianças francesas não precisam da atenção constante dos adultos e que parecem capazes de ouvir a palavra “não” sem ter um ataque?
Ninguém está falando disso. Mas fica cada vez mais claro para mim que, silenciosamente e em massa, os pais franceses estão alcançando resultados que criam uma atmosfera completamente diferente para a vida familiar. Quando as famílias americanas visitam nossa casa, os pais normalmente passam grande parte do tempo apartando brigas dos filhos, ajudando os menores a correr ao redor da ilha da cozinha ou sentados no chão para construir cidades de Lego. Sempre há algumas rodadas de choro e consolo. Mas, quando os franceses nos visitam, nós, adultos, tomamos café e as crianças brincam juntas com alegria. (...)"
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Adorei o post, vc escreve muto bem. Love you
ResponderExcluirbrigada soool ! ah magina, escrevo nada rs tambem te amo ! muito obrigada, beijos !
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