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07 julho 2013

Look do Dia: Saída da Maternidade

O dia de levar seu bebê pra casa é mais emocionante do que você pode imaginar até o dia chegar. Eu ouvia todas as mulheres dizerem "quero ir pra casa" "quero receber alta logo" e se quer saber, por mim não tinha problema continuar ali no hospital se minha mãe não me abandonasse lá! E eu sabia que ela não faria isso. Ah, e claro, se eu continuasse recebendo doces e comidinhas ilegais, contrabandiadas pela minha mãe para dentro do hospital -tenho uma foto em algum lugar mostrando os pães-de-mel, nhá bentas, mousse de chocolate, balas, bom-bons e afins- porque depender das comidinhas do hospital eu ia emagrecer mesmo! hahahha (Sou muito agradecida pelo dia que teve danone de sobremesa viu).


Quando chega a noite anterior ao dia de receber alta é que a gente começa a pensar 'nossa ele vai ficar tão fofo no berçinho', 'nossa será que ele vai se acostumar com o quarto', 'nossa será que ele vai ficar olhando os desenhos na parede?' 'nossa será que eu vou poder por ele pra dormir comigo no meu quarto?' E outros milhoes de nossa serás que nos animam para o dia da saída. E para esse grande dia, não só nós como nossos bebês devem estar perfeitamente arrumadinhos, engomados e prontos pra entrar -no caso da mamãe, voltar- para o mundo! Vai ser seu primeiro dia em casa, ele tem que estar cheiroso, lindo e por favor bebê, não faça xixi nessa roupinha durante uma troca de fraldas ok ?
Pensando nesse dia que toda grávida fica imaginando, as marcas de bebê criaram kits de saída da maternidade. Um conjuntinho de body e mijão, combinando com o macacão, com a manta, e para os mais elaborados, combinando com as meias, luvas, sapatinhos e touquinhas. Acontece que esses kits são muito mais caros do que seriam se cada item fosse comprado separadamente. Os kits mais lindos para menino chegam à 200$ nas lojas mais simples. E ca entre nós, é muito mais fácil encontrar kits baratos e lindos para meninas. Para meninos a coisa se complica um pouco mais, e só as melhores lojas tem coisas que nos parecem à altura de nossos lindos bebês.
Pesquisei, pesquisei, e quase enlouqueci o Rafa querendo um kit de 180$ que vinha com um "saco de dormir" ao inves da manta: lindo.


Porém, no dia do chá de bebê do Cauã, a Carol -noiva do Daniel, meu irmão- me deu um presente enviado por ele lá de Ohio. [Daniel é tio do Cauã, mas ainda não conhece o pequeno. Ele está em Ohio já faz um ano e está para voltar este mês! yey]. Já que o Dani não pode presenciar o Cauã na maternidade, e nem saindo dela eu resolvi sair com ele de lá com o presente que ele enviou. Isso significaria muito mais do que sair com um kit industrializado azul com gominhas que confundem meu bebê se é homem ou mulher! (Não sei porque os kits costumam ser cheios de babados e rendas, e só existem em cores azul e rosa. Você quer um kit fofo sem renda? Talves... em verde? Bom, vai produzir um!) Significava mais para mim, para o Daniel e para o bolso da mamãe e do papai. De qualquer forma, agora era hora de achar um conjunto que fosse à altura do presente do Daniel (e foi ai que acabamos deixando nosso bolso triste de qualquer forma, mas valeu a pena!). Acabamos na TipTop comprando um macacão lindo. Que tipo de bebê não fica lindo de orelhinhas? Bom, o meu ficou lindo de ursinho!!

Meu ursinho fofão <3





olha as mãozinhas!! tipo "vou te pegar ruarr"
thucoooo

Não sei, mas o meu bebê fica perfeito !! Esse foi o look que pusemos no mamutinho neste dia tão especial!!
Eai o que achou ? Deixe seu comentário!! (Já sei, você achou ele lindo né ?? eu seeeeeeeeeeeeei)





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06 julho 2013

Na Maternidade: Os Primeiros Dias de Vida !

A gravidez foi linda! Toda aquela beleza da espera pelo bebê, que coisa linda de se ver e viver (Sem contar pelas dores nas costas, claro)! Hora da escolha do hospital, hora da corrida até o hospital, hora de parir no hospital e quando tudo acaba, na verdade tudo começa.

Acordei pela manhã com um movimento intenso de médicos andando de um lado para o outro. Eram 7h da manhã e faziam cerca de 11 horas e meia que o Cauã havia nascido, ou seja, eu queria dormir mais. No mesmo quarto que eu - cujo numero não decorei, o que explica eu ter entrado tantas vezes em quartos errados quando saia por algum motivo - haviam outras três mulheres; uma negra magrinha que já era mãe de outros 3 filhos e por isso se achava no direito de me criticar com tudo que eu fazia ("você não entende, só tem 18 anos" e coisas do tipo faziam parte dos sermões), uma loira bonita cujo bebê nasceu prematuro e portanto não ficava conosco no quarto como os outros bebês, mas sim no berçário da maternidade, e uma jovem de 19 anos que ficava na minha frente, cujo bebê nasceu amarelo e teve que ficar num berço azul que fazia tanto barulho que se nem eu conseguia dormir não poderia culpar o bebê de só chorar a noite toda.
Dali uma hora chegou o café da manhã, eu estava morrendo de fome então me dei ao trabalho de comer um pedaço de mamão antes de voltar a capotar. Minha mãe nem havia dormido nessa noite, só caiu no sono na hora que eu já estava acordando. Enfim, comi meu mamão e me aconcheguei para dormir com a barriga para baixo -detalhe: quando se engravida é que se descobre o valor das coisas boas da vida, como dormir de barriga pra baixo- e quando eu estava super confortável entrou uma enfermeira baixinha e cabeluda -os cabelos saltavam pra fora da touca listrada em tons de rosa que ela usava- perguntando em alto e bom... na verdade em super alto e péssimo tom de voz, quem já havia dado banho nos bebês e quem ainda faltava dar. As 10h teria na sala de televisão uma palestrinha sobre como dar banho e como cuidar do umbigo, coisas desse tipo. Ótimo ! Já tinha minha desculpa para dormir até as 10h! Ele tomou banho ontem a noite, não vai morrer de me deixar dormir mais um pouco.

Mas é claro que eu não pude, pois recebi a visita de um médico para mim, de uma enfermeira me acordando pra tomar remédio, de uma enfermeira pra levar o Cauã pra tomar vacina e de de um pediatra que veio medir e pesar o Cauã. Bacana ! E eu achando que no hospital ia ser mais tranquilo que em casa!
Cauã tomando vacina !

Quando desisti de dormir mais (mas ainda tinha esperanças de dormir a tarde) fui tomar banho. Eu havia falado com o Rafa e já que as visitas são permitidas a partir das 10h para os pais, eu achava que ele chegaria logo e veria comigo a palestrinha. Bom, deu 10h, 10h30 e nada, então fui ver sozinha. Minha mãe ficou cuidando do Cauã, mas pode se dizer que ele ficou cuidando dela porque acho que o sono dela tava mais pesado que o dele. No meio da palestra ela aparece com meu bebê rechonchudo no colo, chorando e fazendo boquinha de "quero mamar". Boatos no quarto de que a minha mãe precisou de uma ajudinha das meninas para acordar porque o Cauã não foi suficiente para tira-la do sono profundo, tadinha!
Voltei para o quarto e depois de dar mama tive que pedir ajuda de uma enfermeira baixinha e com cabelo vermelho e espetado -são muitas enfermeiras exóticas pro mesmo hospital- para dar banho no Cauã. Ela foi me ensinando e o Cauã chorava tanto que eu queria desistir do banho. "É assim mesmo" ela dizia. "Vou te matar", eu pensava.

Cauã depois do banho! fofinho !

Uma soneca antes das visitas chegarem...



Dado primeiro banho do Cauã, já era hora do almoço. Recebemos o que eu não poderia chamar de serviço de quarto, mas "comida de hospital" também não me parece justo (ao contrário da comida do segundo dia, que fez questão de preencher todos os requisitos necessários para entrar no termo comida de hospital). Enfim, comi enquanto Cauã tirava uma de suas sonecas e depois fiquei lá com a minha mãe curtindo meu bebê. Só fui receber visitas as 14h. Meu pai estava do lado de fora do hospital esperando pelo momento que ele pudesse entrar desde as 11h da manhã. Quando o horário de visitas começou ele subiu correndo para conhecer o netinho.
Alguns minutos depois chegou a minha irmã e madrinha do Cauã, Ju, e os meus avós maternos. Minha vó amou o Cauã e meu vô já começou com as brincadeiras dele de ficar apertando o menino. O Rafa chegou depois deles com a Sol -mãe dele- e por ultimo o Diego -namorado da Ju-.

Como tantas pessoas foram me visitar no mesmo dia num hospital com limite de 3 pessoas por dia? Simples. O Rafa fingiu que minha mãe já não estava lá como minha acompanhante e entrou como acompanhante também. Meus avós e a Ju entraram legalmente. Meu pai saiu pra que o Diego pudesse pegar o crachá dele e entrar fingindo que não está acontecendo nada e a Sol entrou escondida do segurança. Tudo para que pudessem conhecer o novo integrante da familia!

O Dr Geraldo -médico GO que fez o meu pré-natal- tinha me dado algumas semanas antes um atestado que eu tenho Sindrome do Pânico e portanto eu não poderia ficar desacompanhada (créditos à minha amiga Ju pela ideia genial). Portanto, minha mãe pode passar todas as noites comigo. O Rafael foi embora por volta das 18h30 expulso pelo segurança por só ser permitido pais no quarto até as 18h e minha mãe foi jantar na cantina do hospital.

Eu, o Rafa e o Cauã em nosso primeiro dia em familia ! Antes do Rafa ter que ir embora.

Vovó Cris babando no menino!

No dia seguinte a manhã foi relativamente parecida com a do primeiro dia... choro de bebe, mamão e vontade de dormir resumem as minhas manhãs no hospital. A maior diferença é que a menina que se deitava em minha frente recebeu alta e a que estava ao meu lado também. A tarde uma nova mãe de 19 anos ocupou o lugar ao meu lado.
De visita nós tivemos a Gabriela -irmã do Rafa- e a Ana -madrasta. Elas chegaram junto com o Rafa no ultimo instante de visita, as 16h. Me lembro de como a Ana ficou emocionada quando conheceu Cauã. Depois, elas foram tomar um café e o Rafael foi junto. Apareceu de novo quando já eram 17h40, e ele teria que ir embora as 18...

Anoite chegou outra mãe de 19 anos, e acho que meu quarto se tornou o que mais tinha mães jovens. 
Minha mãe foi jantar na casa da minha vó e enquanto eu esperava fui dar uma volta e ir para a Sala de TV. Lá eu encontrei a Núbia! A menina que estava comigo na sala de pré-parto! Ficamos conversando e ela me contou que só foi ter o bebê perto da meia noite! Além disso ela teve que fazer uma cesária! Ficamos horas conversando até que chegou uma enfermeira chamando ela e uma outra menina de estava com a gente -de 17 anos e 2 filhos- para irem tomar remédio. Voltei para o meu quarto e logo minha mãe voltou trazendo para mim e para as meninas vários doces, donnuts, mousse de chocolate e uma nhá benta que meu pai me enviou! Refrigerante, chocolate e pão com carne moída para comermos. Até hoje me arrependo de ter comido um dos pães com carne... acho que comi o almoço da minha mãe do dia seguinte e nunca me senti tão culpada!

Além disso tudo, nosso quarto já estava super amigo das enfermeiras noturnas e até cafézinho e chá quente a gente pode fazer na cozinha delas !

                             
Vovó e o samba do cházinho

Eu, minha mãe e as meninas nos divertimos muito nessa noite. A ultima garota a entrar no quarto havia feito uma cesária e acho que se divertir e comer chocolate era tudo que ela -mas não só ela- estava precisando.
Espero que todas as meninas estejam se saindo bem quanto aos seus filhotes!

Essas são algumas fotos da noite do Cauã!




Olha o jeitinho como ele deita em mim!






De noite Cauã foi pesado e ele estava ganhando pouco peso, por isso comecei a ficar preocupada se conseguiriamos ter alta no sábado! Comecei a caprichar nas mamadas para ele engordar. A noite foi tranquila e logo já estava amanhecendo nosso ultimo dia na maternidade.
O dia foi tranquilo, recebemos algumas visitas de novo e eu dei bastante de mamá. Era meu ultimo dia lá e eu ia sair no dia seguinte!
Na hora do almoço ganhei uma bolsa do governo, do programa Mãe Paulistana, com diversos itens de maternidade. Roupinhas, cobertores, toalhas... uma das moças do meu quarto que também ganhou ficou até emocionada! Realmente, era bom demais pra ser... do governo!
Depois do almoço ganhei uma ótima sobremesa (além de danette!): o pediatra veio pesar Cauã e nós ganhamos alta para o dia seguinte! Eu e minha mãe ficamos tão emocionadas que até choramos! Cauã vai pra casa amanhã ! #continua no próximo post !







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03 julho 2013

O Parto

Depois de chegarmos ao hospital pela manhã (eu, minha mãe e o Rafa) eu entrei para uma consulta com um médico. Minha dilatação não havia se alterado quase nada desde o dia da consulta com o Dr Geraldo (4 dias antes), eu estava com 4cm pra 5cm. Minha bolsa havia se rompido em casa e eu estava vazando por ai.
Me mandaram para a sala de pré-parto sem meu noivo e minhas roupas, mas eu ainda tinha minha tranquilidade e um aventalzinho feio. E toda aquela agua que eu ia deixando de rastro por onde eu passava.
Quando cheguei na sala -levada por uma velinha muito fofa e até um pouco doida que usava touca de bolinhas rosas e roxas, diga-se se passagem- fui colocada na segunda cama. Na primeira havia uma menina, nova também, almoçando. Seu nome era Nubia e ela tinha 19 anos. Assim como eu, ela estava com 4-5cm de dilatação, porém ao contrário de mim, a bolsa não estava rompida e ela tinha muuuuitas contrações super ritmadas, mas não tão fortes (ainda).
Chegaram então várias enfermeiras que se apresentaram e colocaram na minha barriga uma faixa fina que dava a volta em mim, e debaixo dessa faixa puseram uma bolotas ligadas à um trambolhão na qual eu podia ouvir o coração do Cauã bater, e que além de imprimir suas batidas, imprimia e mostrava a força e ritmo das minhas contrações.

Essa sou eu com o aparelho que citei acima, o Rafa resolveu tirar umas fotinhos escondido!

Este é o aparelho. No lado esquerdo, as batidas do coração do Cauã. No direito, as minhas contrações.

O Rafa na sala de Pré-Parto comigo ! Eu ainda estava tranquila e tirando fotinhos ! (=

Minhas contrações eram atrapalhadas, fracas e fora de ritmo. O que não deveria, já que a minha bolsa já havia se estourado. Fiquei lá um tempo ouvindo o coração do meu bebê, até que uma enfermeira veio e me explicou que eu já estava em trabalho de parto, mas num trabalho assim meio errado. Normalmente, a bolsa se rompe quando o trabalho já está num nível avançado. No meu caso, ela rompeu e meu corpo não tinha contrações suficientes para empurrar o bebê para fora.
A bolsa serve para proteger o bebê de possíveis bactérias e infecções que possam vir a afeta-lo dentro de mim. Por esse motivo, quando ela se rompe o bebê tem que sair para permanecer seguro.
A enfermeira disse que o indicado seria eu tomar Ocitocina para as contrações começarem, pois esperar por elas era muito arriscado.
  Ocitocina é um hormonio que também é conhecido como Hormonio do Amor. Isso, porque é o responsável pela sensação de prazer e bem estar fisico e emocional entre o casal, além da sensação de segurança e fidelidade.
No parto, ela estreita o vinculo entre mãe e bebê e faz com que o útero contraia.
  Não é que eu não tenha ocitocina, mas meu trabalho de parto estava muito demorado, por isso era recomendado eu injetar ocitocina sintética no meu sangue, iniciando assim o verdadeiro trabalho de parto. Eu não queria tomar ocitocina, e não teria tomado se não fosse questão de arriscar o meu pequeno e ainda não nascido Cauã.
Eu passei 9 meses com medo de ter que tomar esse hormônio. Dizem as lendas e as sofridas mães que a ocitocina piora e muito cada contração. O que faz todo sentido, pois um trabalho de parto que demoraria cerca de 16 horas no minimo, diminui para cerca de 6.
Marcaram para mim tomar perto das 15h, junto com outros medicamentos e antibióticos. Mas ai surgiu um grande problema ! O hospital não tinha vagas para nós! Nem para mim, nem para Cauã, nem para Nubia e seu filho. As salas da maternidade estavam lotadas e se tivéssemos nossos bebes ali, poderiam acontecer partos fora da sala de parto, e talvez tivéssemos que ficar deitadas em macas depois, sem berços para os nossos bebes, nem visitas nem nada. Simplesmente em macas no meio do corredor.
Foi ai que o HU solicitou a mãe paulistana uma transferência para um hospital que tivesse vagas.
"NAAAAAAAAAO!!"
Como assim ??? Ir para um hospital que eu não conheço ?? Nem sei aonde é ! Vai que o médico é horrivel! Vai que tem um ladrão de bebes lá! Vai que não tem nem fraldas pro meu bebe e as enfermeiras são mal humoradas !! Comecei a imaginar o pior! Não quero ir para um hospital que pode ser horrível, longe e feio! Quero ficar na USP!
Cheguei a conversar sério com o Rafa e a dizer que preferia ficar na maca do que ir para outro hospital.
Uma enfermeira veio e me deu permissão para ir ao corredor para ver minha mãe que me esperava.

"Maaaaaaaae, não quero ir para outro hospital!"

Como sempre, minha mãe super me acalmou. Ela dizia que ia dar um jeito, nem que eu fosse para um hospital particular. Coisa que eu também não queria! Não é possível que me mandem embora do hospital!
Voltei pra sala e depois de um tempo -e muito nervosismo, uma enfermeira já havia dito que uma ambulância estava a caminho para me levar ao Hospital Regional Sul (???)- veio uma médica loira muito linda e carinhosa e disse olhando para mim:
- Você sabe que a ambulância já está à caminho, né? Então, eu liguei para eles e disse que você está com 8cm de dilatação e não tem condições de sair do hospital! Nós conseguimos vagas para vocês! Será liberado a noite só, mas tudo bem porque ainda vai demorar para você ganhar o bebê! -Ela se virou para a Núbia e disse - Você também ! Seu pedido de transferencia eu já rasguei! - e mostrou o pedido picotadissimo na mão !

Festinha na sala de pré-parto, ebaa !! Uhuul !! Cauã nós vamos ficar aquiii seguros de médicos loucos e roubadores de nenens ! Yey ! Todo mundo comemorando ! Todas as enfermeiras, eu, o Rafa, a Nubia, o namorado dela ! Todo mundo ! O Rafa fez até uma dancinha da felicidade.
A próxima etapa começou as 15h, com antibióticos, ocitocina e medo. Na verdade, começou mesmo as 15h20, quando as contrações realmente começaram.
O trambolhão que media a força das contrações - que antes marcava 10, 17, 20 - foi pra 40.
Às 16h estava em cerca de 60. Minhas contrações tomaram forma, ritmo e presença. Muita presença.
Eu esperneava como um bebê durante a troca, que fica esticando e puxando a perna e os braços, virando de um lado pro outro na cama, só que sem chorar e berrar -ainda. As contrações iam aumentando, as 17h já estavam em 70. Perguntei para a enfermeira até que numero chega a pior contração.
-Chega a 150 no momento da passagem do bebê na hora do parto, mas fica tranquila!
WHAAAAAAAAAAAAAAAAAAT ? E eu morrendo com metade ?? To ferrada!! -Era tudo que eu conseguia pensar. E só conseguia pensar mesmo, porque durante uma contração se eu abrisse a minha boca ia sair um grito, e não palavras.
Deu 18h e era hora da troca de turnos, e por isso o Rafa não podia ficar comigo na sala. Ele teve que sair, e 10 minutos depois começou a pior muito minhas dores. Eu comecei a implorar por uma cesariana -na minha mente, claro. Como eu disse, já não dava mais pra falar, ou ia sair muito alto e eu morria de medo de assustar as outras mulheres.
A Núbia já estava chorando de dor a essa hora, eu podia ouvir ela tentando respirar e soltando um choraminguinho entre uma expiração e outra. Eu, no entando, só conseguia choramingar, e respirar de vez em quando.
Até que veio uma contração do quinto inferno de marte e eu não aguentei e berrei "aiaiaiaiaiaiaaaaaaaaaai da doendooo", e foi ai que eu ouvi um
-QUEM GRITOOU ? - lá de longe, do corredor
-EEEEEEEEEEU
-A Ana ! - respondeu uma enfermeira entrando na sala, seguida de outras 3
-LEVA PRO CHUVEIRO ! - berrou a moça de longe
Elas começaram a me pegar e me carregar até o banheiro da sala onde fui posta em um banquinho bem estranho. Ligaram um chuveirinho pequeno bem forte e me disseram para ficar molhando o fim das costas e o fim da barriga, alternando entre um e outro, que isso aliviaria a dor.
E aliviou !

 Na verdade não tive coragem de tirar o chuveirinho da barriga, quando tentei morri em meio uma contração e voltei o mais rápido que pude, mas tudo bem.
Antes de ir para o chuveiro eu estava morrendo, quando entrei nele as contrações diminuiram e muito. Já estavam no 90 tenho certeza, mas eu senti elas voltando para o 60 e acredite, foi um alivio! Na verdade, minhas dores de antes do chuveiro eram tão fortes, que quando entrei nele elas quase sumiram, e eu respirei de novo e o mundo voltou a girar. Por meia hora, porque ai começou a girar demais.
Meia hora depois as contrações, com o chuveiro na barriga, estavam INCONTROLAVELMENTE TENSAS. Comecei a não aguentar e uma enfermeira foi me acalmar... não deu certo porque tudo que eu queria era levantar daquele banquinho tosco e socar muito a cara da coitada da enfermeira -que era um amor de pessoa, diga-se de passagem.
Foi quando ela chegou.
- ai ai ai ai aiaiaiaiIAIAIAI NÃO TO AGUENTANDO (*chorando*)
e foi ai que eu ouvi lá do corredor
- LEVA PRA SALA DE PARTO!!
e pensei:
- TAVAM ESPERANDO EU BERRAR PRA ME LEVAR ???????
Vieram as mesmas três enfermeiras, uma gordinha engraçadinha, a velinha da touca de bolinhas e a fofinha que eu queria bater toda vez que me chamava de flor (coitada), e desligaram o chuveiro, foi ai que quase morri com as próximas contrações! Pense comigo; se eu estava quase morrendo e quando fui para o chuveiro tive paz (no começo), quando começei a morrer de novo dentro do chuveiro, imagina como essas ultimas contrações ficaram FORA do chuveiro ! Pegou ?
Fomos correndo para a sala de parto. Se antes meu rastro era de água, agora eu parecia uma menina baleada sendo levada para o pronto-socorro. Mas era uma grávida, prestes a dar a luz.
Imagine a cena, eu correndo com a enfermeira, segurando meu roupão semi-aberto, morrendo de dor, sangrando por ai. Correndo nos corredores do hospital minutos antes de um parto. Agradavel ? Totalmente!

Cheguei na sala de parto -depois de uma maratona- e fui posta na mesa de cirurgia. Tudo me parecia real desde que eu tinha tomado ocitocina e começado a sentir as dores de verdade. Mas agora era real que estava prestes a nascer. Deu um medo, uma alegria, ansiedade e (acredite se quiser) muita pressa! Quando fui posta na mesa eu só me lembro das reclamações que eu fazia na minha cabeça. Eu estava tão nervosa que acho que só não tinha batido na enfermeira que me levou a pé, correndo, para a sala porque eu não saberia para onde ir e meu bebê nasceria no corredor. Deitada na cama eu só conseguia reclamar porque ninguém estava ali pronto para tirar meu bebê a qualquer segundo. Quando veio uma contração muito forte, era a primeira das ultimas quatro contrações muito tensas que senti antes do Cauã nascer. Foi o suficiente para aparecerem mais algumas pessoas da equipe de médicos e eu ficar mais calma. "Mais calma".
Veio a segunda contração, e eu pude sentir muito bem o Cauã ali, pronto para se auto-ejetar. Comecei a gritar meus aiaiaiaiaiais -tava pior que a Vanessa da Mata- e gritei que não aguentava mais, estava doendo muito ! Até um enfermeiro vir até mim e dizer "MOÇA, NÃO É JUSTO VOCÊ TA ASSUSTANDO AS OUTRAS MULHERES, PARA DE GRITAR, NINGUÉM FEZ ISSO COM VOCÊ"
Eu respondi um sincero "meeee descuuulpaa" em meio a muitas lagrimas e mais sacrifício para dizer isso do que aquele enfermeiro imagina.
Vi um médico se aproximando de mim, me posicionando e começando a fazer alguns procedimentos. Veio mais uma contração, a terceira, e eu aguentei da forma que pude. Pensei na Nubia me ouvindo berrar e ficando com mais medo do parto. Tentei respirar, tentei mesmo, mas fiquei só na tentativa.
Passaram-se poucos segundos depois da ultima, e veio mais uma contração. Nessa, o médico me levantou e abaixou minha cabeça, e interrompeu meus aiaiaiaiaiaiais com uma peridural. Foi assim que o mundo voltou a girar, eu voltei a respirar e pude voltar a ouvir meus próprios pensamentos de novo. Tive vontade de me levantar e dar um abraço em quem aplicou a anestesia em mim. Me deitaram de novo e eu me lembro de pensar bem assim neste momento: "PORQUE NÃO ME APLICARAM ISSO ANTES ?"
Olhei para a porta daquela sala e em meio aquela imensidão branca vi o Rafa entrando, de mascara, toquinha e avental azul. Ele deu a volta em mim e me deu um beijo, disse que me ama e eu nunca vou esquecer da cena dele me dizendo isso olhando pra mim de cima pra baixo, com aqueles apetrechos hospitalisticos e um fundo quase azul de tão branco. Ele se sentou ao meu lado e demos inicio ao parto ! O médico disse "Quando a contração estiver vindo, você segura aqui -me mostrando dois apoios em meio a cama que eu deveria puxar pra fazer força, fazer quase um abdominal- e faz força até acabar! Não para de fazer força, vai de uma vez" e assim veio a primeira contração! 'Levantei' as costas e passei aquele minuto de contração fazendo toda a força que podia. O minuto parecia não acabar mais, e eu lá fazendo força até ficar roxa. Podia sentir todos os médicos me olhando, um ar de expectativa e o Rafa dizendo "VAI AMORZINHO". A contração acabou e eu me joguei pra trás, mas lá estava ela de novo em menos de 10 segundos. "FAZ FORÇA!" o médico dizia. Lá vamos nós de novo, fiz tudo que eu podia, essa contração foi duradoura. Minha barriga mais dura do que nunca, eu mais roxa do que nunca, e imagino que Rafa nunca ficou tão nervoso também. Comecei a ouvir especulações médicas e apoio moral. "To vendo o cabelinho" e "não para que ele ta vindo" são frases que ouvi e que não vou esquecer! No final dessa segunda contração... tuf ! Senti um alivio vindo dos céus! Pude sentir perfeitamente... alguma coisa passar! "A CABEÇA SAIU", "PASSOU UMA PARTE"
Uma enfermeira ao meu lado me deu força para fazer a força necessária na próxima contração quando disse "Vai, a cabeça já passou só falta o resto!"
Menos de 5 segundos e veio a próxima -e ultima- contração. Depois de ouvir a enfermeira dizer que "só falta o resto" eu me lembro perfeitamente de pensar "SAI TUDO AGORA VAI ULTIMA FORÇA SAI TUDO SAI TUDO SAI TUDO"
NUNCA fiz tanta força em toda minha vida. Eu diria que a força veio da minha força de vontade de fazer o parto chegar ao fim o mais rápido possível. Queria meu bebe no meu colo, e não metade pra dentro e metade pra fora. Fiz uma força tão grande que se um dia eu pudesse canalizar ela em um soco, seria o suficiente para ganhar o cinturão do UFC.
Foi quando senti todo o meu corpo relaxar e me soltei para trás. Os médicos e enfermeiros se amontoaram na minha frente e eu senti minha barriga murchar. Levantei a cabeça para ver, e vi só o médico japonês que fez todo o parto passar meu bebê para o lado, vi apenas o pezinho do meu pequeno Cauã passando. Por enquanto o único choro na sala ainda era o meu e do Rafa.

Levaram ele até um cantinho para pesar e medir. Cauã nasceu com 3 quilos 660 gramas e 52cm de comprimento às -7h30. Eu e o Rafa assistíamos ele ser pesado com lagrimas nos olhos. Trouxeram-no até mim e o puseram na minha barriga. Era a coisa mais linda do mundo. Ele estava inchado e bochechudo, um pouquinho avermelhado. Não tinha tomado banho, mas já tinha a pele super macia. Quando a enfermeira me mostrou ele a primeira vez, ele estava mostrando a lingua ! Com a lingua pra fora, foi assim que esse malandrinho nasceu !

Ele veio para o nosso colo com essa touca fofinha! Essa foto foi tirada pós-parto, 
antes mesmo de ele ir para o banho!

A enfermeira o tirou do meu colo e pois nos braços do Rafa enquanto ele dizia "Não sei pegar um recém nascido!" e chorava ! Foi a coisa mais linda. Ficamos ali um tempo com ele, até que o Rafa teve que sair da sala. Pegaram o Cauã para dar uma vacina e a sala ficou vazia de médicos que me davam parabéns e tinham que sair correndo para outro parto, imagino eu.
No fim, sobramos eu e uma enfermeira, que me passou para uma maca e me pois uma faixa grossa na cintura até o peito. "Você já vai ver para que é isso, calma ai"
Ela me trouxe meu bebê e o pois dentro da faixa, deixando-o coladinho em mim. Já posicionou ele para mamar e ele já saiu mamando! Instinto não falta nesse menino!
Assim ficamos eu e bebê. Fomos levados para uma sala -onde pude ver minha mãe novamente- e eu fiquei um tempo lá sob observação. Depois fomos levados para o quarto -no caminho vi minha irmã linda- e assim que chegamos, o Cauã foi levado para tomar banho e para tomar uma vacina (minha mãe fotografou) e depois já o pusemos para dormir, e assim ele ficou a noite toda, sem me dar o menor trabalho em nossa primeira noite. Eu mal podia dormir, só queria assistir meu bebê sonhar. Parecia que quem estava sonhando era eu.


Foto do Cauã em sua primeira pesagem fora da sala de parto, e segundos 
antes de tomar uma vacina!


Depois do banho, ele voltou assim para mim! Super cheiroso, meu loirinho lindo!


Minha mãe, graças a um pedido médico, pode ficar comigo de acompanhante durante as noites.
Nem sei como agradecer por toda a ajuda que ela me deu. Linda ! Insubstituível !


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A Caminho da Maternidade !

Já devem ter percebido que minha mãe é corujona e, assim como eu, adora tirar fotos. Toda hora é uma boa hora para uma boa fotografia. Isso inclui a nossa corrida até a maternidade !

Como eu disse no post que fiz antes de sair, eu não estava com muita dor. A bolsa já estava rompida desde aproximadamente as 9h da manhã, e eu ainda sentia o Cauã se mexer. Como ouvi falar de muitas mulheres que foram correndo como se não houvesse amanhã para o hospital e chegando lá estavam com pouca dilatação (ou algo do tipo) e tiveram que voltar para casa, eu estava bem tranquila nessa ida. Não estava com pressa mesmo sentindo um pouco de dor aqui e ali.
A verdade é que não parecia real. A falta de dores e desconfortos era tão grande que não era suficiente para me fazer acreditar que realmente estava na hora... ou pelo menos no dia.  Eu estava ótima, como estive em toda a gestação, e a bolsa já tinha rompido. Eu me convencia de que o parto não iria doer, de que eu estaria com o bebe em minhas mãos em breve e que logo logo eu estaria em casa com ele. 
Errei, errei, errei. Ops !

Enfim, quando até eu comecei a ficar com medo do parto pegamos as malas do Cauã, a minha mala, a mala da câmera da Sol, a mala da nossa câmera de vídeo, a minha necessaire de documentos, os documentos da gestação... pega isso, pega aquilo... saimos muito empacotados !


Olha a cara do Rafael de "ISSO SÃO HORAS DE TIRAR FOTO??"

Mas tudo bem né amor, não é todo dia que a gente sai de casa carregado de roupinhas para bebe rumo à uma maternidade 


O hospital que escolhi não é longe, o que foi ótimo. Na verdade, até dava para ter ido mais longe, mas depois ficaria complicado ir com o Cauã para as consultas do pós-parto. Além disso, foi no HU, No Hospital Universitário da USP. Gostei de lá porque sei que todos os médicos são obrigados a terem mestrado para estarem lá ! Isso te faz ficar mais segura quando você não sabe quem fará seu parto !





Enfim, resolvi postar as fotos da nossa ida para a maternidade, mesmo atrasado, porque são meus ultimos momentos registrados de grávida (além de um vídeo que o Rafael fez de mim tendo uma contração na sala de pré-parto! ninguém merece). Além disso, o blog ficou super desatualizado desde que eu fui para a maternidade. Hoje ainda vou tentar atualizar bastante, mas tudo depende do Cauã ! Rs

Beijos!





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A Bolsa Estourou: Hora de ir para a Maternidade !

Acordei molhada, como quando a gente tem 9 anos e acorda assustado "mamãe fiz xixi na cama". Só que esse era um 'xixi' involuntário. Começou a sair agua de mim, mas nada de demais. Eu resolvi levantar e foi ai que realmente parecia que eu tinha feito um xixizão nas calças ! Foi só eu levantar que saiu tudo de uma vez. Acordei o Rafa, a vovó Cris e fui tomar banho rapidinho!
Mamãe e Rafael em prantos, eu de boa... Sai do banho, mamãe tinha me esquentado um pãozinho de padaria delicioso com manteiga e chocolate quente: do jeitinho que eu amo. Quando entrei na cozinha, mais uma surpresa ! Mamis me comprou umas panelas, dessas vermelhas super grossas, coisa de chefe profissional !! LINDASS !!







Além das panelas, ela também caprichou na comoda do Cauã !!


Ela pois um potinhos de ceramica, e um que abre e fecha, especifico para os lençinhos humidecidos !
A comoda ficou uma gracinha ! Depois, quando eu não estiver quase tendo um filho, eu tiro mais fotos !!



Ontem a noite ela já havia nos presenteado com uma panela novinha linda, pretinha dessas anti aderentes, e um aquecedor para o quarto do Cauã !!!!!!! Como se isso já não fosse DEMAIS, ainda acordei com essas surpresas lindas, vermelhas e anti-aderentes profissionais na minha cozinha !! Isso, fora as colheres que ela me deu tambémm !! Mamãe, obrigada !!


Olha só (na foto de cima) o aquecedor que ela comprou pro netinho que decidiu nascer no frio !! Juro que esquenta que é uma beleza, não é perigoso, é prático e leve, e uma delicia !!

Claro que, do jeito que minha mãe é coruja, ela não poderia não ter fotografado nada nesta manhã. Haahhaha,
Mamãe e Rafa estão aqui me apressando... eu estou calma, não estou sentindo dores, só estou sentindo o Cauã mexer, e tive uma ou duas contrações. Ligamos para o meu médico, famoso Dr Geraldo, e ele disse para irmos para o hospital. Bom, estou prontinha, na minha opnião acho que no hospital vão me mandar voltar para casa, que ainda não está na hora... mas vamos ver o que acontece, afinal de contas, a bolsa de agua já estourou ! E quem decide se vai vir agora ou não não sou eu, é Cauã



ps. Admito que estou com algumas dores sim... mas é tão pouca coisa ! (bem que podia continuar assim...)

Ah, e só para constar, hoje os Girassóisinhos do meu Girassol que ainda estavam fechados começaram a se abrir.





OK, EU PRECISO IR PARA O HOSPITAL AGORA. Beijos, e me desejem boa sorte !
Não se esqueçam de me visitar, no Hospital da USP (HU) das 2h as 4h ! 





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