Acordei pela manhã com um movimento intenso de médicos andando de um lado para o outro. Eram 7h da manhã e faziam cerca de 11 horas e meia que o Cauã havia nascido, ou seja, eu queria dormir mais. No mesmo quarto que eu - cujo numero não decorei, o que explica eu ter entrado tantas vezes em quartos errados quando saia por algum motivo - haviam outras três mulheres; uma negra magrinha que já era mãe de outros 3 filhos e por isso se achava no direito de me criticar com tudo que eu fazia ("você não entende, só tem 18 anos" e coisas do tipo faziam parte dos sermões), uma loira bonita cujo bebê nasceu prematuro e portanto não ficava conosco no quarto como os outros bebês, mas sim no berçário da maternidade, e uma jovem de 19 anos que ficava na minha frente, cujo bebê nasceu amarelo e teve que ficar num berço azul que fazia tanto barulho que se nem eu conseguia dormir não poderia culpar o bebê de só chorar a noite toda.
Dali uma hora chegou o café da manhã, eu estava morrendo de fome então me dei ao trabalho de comer um pedaço de mamão antes de voltar a capotar. Minha mãe nem havia dormido nessa noite, só caiu no sono na hora que eu já estava acordando. Enfim, comi meu mamão e me aconcheguei para dormir com a barriga para baixo -detalhe: quando se engravida é que se descobre o valor das coisas boas da vida, como dormir de barriga pra baixo- e quando eu estava super confortável entrou uma enfermeira baixinha e cabeluda -os cabelos saltavam pra fora da touca listrada em tons de rosa que ela usava- perguntando em alto e bom... na verdade em super alto e péssimo tom de voz, quem já havia dado banho nos bebês e quem ainda faltava dar. As 10h teria na sala de televisão uma palestrinha sobre como dar banho e como cuidar do umbigo, coisas desse tipo. Ótimo ! Já tinha minha desculpa para dormir até as 10h! Ele tomou banho ontem a noite, não vai morrer de me deixar dormir mais um pouco.
Mas é claro que eu não pude, pois recebi a visita de um médico para mim, de uma enfermeira me acordando pra tomar remédio, de uma enfermeira pra levar o Cauã pra tomar vacina e de de um pediatra que veio medir e pesar o Cauã. Bacana ! E eu achando que no hospital ia ser mais tranquilo que em casa!
Cauã tomando vacina !
Quando desisti de dormir mais (mas ainda tinha esperanças de dormir a tarde) fui tomar banho. Eu havia falado com o Rafa e já que as visitas são permitidas a partir das 10h para os pais, eu achava que ele chegaria logo e veria comigo a palestrinha. Bom, deu 10h, 10h30 e nada, então fui ver sozinha. Minha mãe ficou cuidando do Cauã, mas pode se dizer que ele ficou cuidando dela porque acho que o sono dela tava mais pesado que o dele. No meio da palestra ela aparece com meu bebê rechonchudo no colo, chorando e fazendo boquinha de "quero mamar". Boatos no quarto de que a minha mãe precisou de uma ajudinha das meninas para acordar porque o Cauã não foi suficiente para tira-la do sono profundo, tadinha!
Voltei para o quarto e depois de dar mama tive que pedir ajuda de uma enfermeira baixinha e com cabelo vermelho e espetado -são muitas enfermeiras exóticas pro mesmo hospital- para dar banho no Cauã. Ela foi me ensinando e o Cauã chorava tanto que eu queria desistir do banho. "É assim mesmo" ela dizia. "Vou te matar", eu pensava.
Cauã depois do banho! fofinho !
Uma soneca antes das visitas chegarem...
Alguns minutos depois chegou a minha irmã e madrinha do Cauã, Ju, e os meus avós maternos. Minha vó amou o Cauã e meu vô já começou com as brincadeiras dele de ficar apertando o menino. O Rafa chegou depois deles com a Sol -mãe dele- e por ultimo o Diego -namorado da Ju-.
Como tantas pessoas foram me visitar no mesmo dia num hospital com limite de 3 pessoas por dia? Simples. O Rafa fingiu que minha mãe já não estava lá como minha acompanhante e entrou como acompanhante também. Meus avós e a Ju entraram legalmente. Meu pai saiu pra que o Diego pudesse pegar o crachá dele e entrar fingindo que não está acontecendo nada e a Sol entrou escondida do segurança. Tudo para que pudessem conhecer o novo integrante da familia!
O Dr Geraldo -médico GO que fez o meu pré-natal- tinha me dado algumas semanas antes um atestado que eu tenho Sindrome do Pânico e portanto eu não poderia ficar desacompanhada (créditos à minha amiga Ju pela ideia genial). Portanto, minha mãe pode passar todas as noites comigo. O Rafael foi embora por volta das 18h30 expulso pelo segurança por só ser permitido pais no quarto até as 18h e minha mãe foi jantar na cantina do hospital.
Eu, o Rafa e o Cauã em nosso primeiro dia em familia ! Antes do Rafa ter que ir embora.
Vovó Cris babando no menino!
No dia seguinte a manhã foi relativamente parecida com a do primeiro dia... choro de bebe, mamão e vontade de dormir resumem as minhas manhãs no hospital. A maior diferença é que a menina que se deitava em minha frente recebeu alta e a que estava ao meu lado também. A tarde uma nova mãe de 19 anos ocupou o lugar ao meu lado.
De visita nós tivemos a Gabriela -irmã do Rafa- e a Ana -madrasta. Elas chegaram junto com o Rafa no ultimo instante de visita, as 16h. Me lembro de como a Ana ficou emocionada quando conheceu Cauã. Depois, elas foram tomar um café e o Rafael foi junto. Apareceu de novo quando já eram 17h40, e ele teria que ir embora as 18...
Anoite chegou outra mãe de 19 anos, e acho que meu quarto se tornou o que mais tinha mães jovens.
Minha mãe foi jantar na casa da minha vó e enquanto eu esperava fui dar uma volta e ir para a Sala de TV. Lá eu encontrei a Núbia! A menina que estava comigo na sala de pré-parto! Ficamos conversando e ela me contou que só foi ter o bebê perto da meia noite! Além disso ela teve que fazer uma cesária! Ficamos horas conversando até que chegou uma enfermeira chamando ela e uma outra menina de estava com a gente -de 17 anos e 2 filhos- para irem tomar remédio. Voltei para o meu quarto e logo minha mãe voltou trazendo para mim e para as meninas vários doces, donnuts, mousse de chocolate e uma nhá benta que meu pai me enviou! Refrigerante, chocolate e pão com carne moída para comermos. Até hoje me arrependo de ter comido um dos pães com carne... acho que comi o almoço da minha mãe do dia seguinte e nunca me senti tão culpada!
Além disso tudo, nosso quarto já estava super amigo das enfermeiras noturnas e até cafézinho e chá quente a gente pode fazer na cozinha delas !

Vovó e o samba do cházinho
Eu, minha mãe e as meninas nos divertimos muito nessa noite. A ultima garota a entrar no quarto havia feito uma cesária e acho que se divertir e comer chocolate era tudo que ela -mas não só ela- estava precisando.
Espero que todas as meninas estejam se saindo bem quanto aos seus filhotes!
Essas são algumas fotos da noite do Cauã!
Olha o jeitinho como ele deita em mim!
De noite Cauã foi pesado e ele estava ganhando pouco peso, por isso comecei a ficar preocupada se conseguiriamos ter alta no sábado! Comecei a caprichar nas mamadas para ele engordar. A noite foi tranquila e logo já estava amanhecendo nosso ultimo dia na maternidade.
O dia foi tranquilo, recebemos algumas visitas de novo e eu dei bastante de mamá. Era meu ultimo dia lá e eu ia sair no dia seguinte!
Na hora do almoço ganhei uma bolsa do governo, do programa Mãe Paulistana, com diversos itens de maternidade. Roupinhas, cobertores, toalhas... uma das moças do meu quarto que também ganhou ficou até emocionada! Realmente, era bom demais pra ser... do governo!
Depois do almoço ganhei uma ótima sobremesa (além de danette!): o pediatra veio pesar Cauã e nós ganhamos alta para o dia seguinte! Eu e minha mãe ficamos tão emocionadas que até choramos! Cauã vai pra casa amanhã ! #continua no próximo post !
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